01 outubro 2006

Lady in the Water

2006, EUA, cor, Dur:110 min

Real: M. Night Shyamalan

Com: Paul Giamatti; Bryce Dallas Howard; Bob Balaban

Já lá vão sete anos desde “O Sexto Sentido”. Neste espaço de tempo M. Night Shyamalan realizou mais quatro longas-metragens. Mesmo que não tenham recebido a devida atenção por parte do público em geral, todas elas foram aclamadas pela crítica. Este “A Senhora da Água” tem, no entanto, sido alvo de uma má recepção por parte de quem no passado só falou bem deste realizador. O que mais se ouve é: “irreal; infantil” e outras coisas na mesma onda.

Ora bem, se à partida classificamos um filme de irreal, teremos também de classificar todos os filmes feitos até hoje na mesma categoria. Quanto à parte do “infantil”, o que dizer dum Star Wars ou dum Lord of the Rings?... Mas compreendo a dificuldade em aceitar a mitologia especifica deste Lady in the Water. E é este o ponto fraco do filme. Ao longo da estória somos confrontados com uma série de conceitos próprios do reino da ficção, mas de uma forma muito comprimida, cada conceito demasiado próximo do seguinte. É isto que causa dificuldade ao espectador normal em aceitar um filme que se apresenta a si próprio como “a bedtime story”, sem qualquer pretensiosismo a atingir um fim maior.

Desmontado o cinismo da critica especializada em relação a este filme, passemos ao dito cujo.

Shyamalan não desilude. Mas por pouco. O facto de apresentar toda uma nova mitologia ao espectador e esperar que este a assimile de modo a compreender todo o filme é um factor negativo. Se em Star Wars temos uma trilogia para assimilar todos os pormenores daquele universo e Lord of the Rings era também já algo enraízado na cultura pop antes da adaptação cinematográfica, com este filme não temos tanta sorte.
O que é uma Narfa? E um Scrunt? Será que o Guardião pode ser o Veículo simultaneamente? Tudo questões complicadas de responder para quem acaba de saber que a personagem principal se chama Cleveland Heep...

Mais uma vez Shyamalan traz um actor do filme passado para um novo projecto. Já o fez com Bruce Willis e com Joachim Phoenix, e agora volta a repetir Bryce Dallas Howard ( a melhor contribuição do Ron Howard ao mundo do Cinema). No entanto, a actriz não brilha tanto como em A Vila. Quem rouba o protagonismo neste filme é Paul Giamatti, que se confirma cada vez mais como um dos grandes actores do momento, depois de Sideways, onde injustamente nem sequer recebeu uma nomeação ao Oscar... Uma palavra à personagem do crítico de cinema, alívio cómico deste filme, representando o esterótipo perfeito...

Não mais do que as quatro estrelas para este filme, com um sério aviso ao sr. M. Night, depois de A Vila esperávamos algo ainda melhor. A expectativa era alta. O resultado final não decepciona, mas quem prova caviar já não volta a aceitar carapau... Sim, este Lady in the Water é inferior a A Vila, mas ainda assim muito superior a outros filmes que por aí andam...

2 comentários:

Coiso disse...

"Quais" é o mal de "Cleveland Heep"? Então e "Dakota Fanning"? Aliás até tou a pensar em mudar o meu nome para "Alentejo José"... :)

Anónimo disse...

Confesso que ao princípio estava um pouco receoso. Mas, depois de ler alguns dos teus textos, consigo ver que tens um perfil ao mesmo tempo crítico dos filmes, e ao mesmo tempo humilde e humoristico. Isso é bom. Não queremos ego's inchados. Se queres participar na Cabra Cinema, contacta: r_s_jeronimo@hotmail.com
Parabéns pela tua visão da Lady in the Water.