11 maio 2007

Não resisto...

O House perguntou a uma míuda de oito anos, vou citar, "Tens pêlos no teu 'sítio especial?'", fim de citação.

O politicamente incorrecto desta pergunta é representativo de toda uma forma de estar repleta de afrontamento e fuga ao fácil e comum, nada normal numa figura central de uma série de televisão. O anti-herói do Cinema está a passar ao mais imediato mundo da têvê "mainstream" e Hugh Laurie tem sido o actor perfeito para esta transição.

Como já me disse a Sara: Uma personagem brilhante numa série mediana...

08 maio 2007

É pouco provável que volte a postar no próximo mês

Trabalhinho, é o que me aguarda. Textos para entregar este mês são três: História da Música; História e Estética do Cinema e Culturas Contemporâneas como os objectos de estudo e ainda uma programação cultural que ainda não faço ideia como começar... Um mês a rebuscar as entranhas do meu ser e a ler a bibliografia eternamente adiada...

Até breve...

03 maio 2007

Meninos e Meninas do Cinecartaz...


Pelo menos tenham a honestidade intelectual de dizer que não tinham vontade de trabalhar...
As estreias desta semana são: "Spiderman 3"; "O Concílio de Pedra"; "O Mistério da Estrada de Sintra"; "ShortBus" e "Still Life-Natureza Morta".

02 maio 2007

E porque hoje já é dia 2...

Amanhã estreia isto:

Pós-Guerra

“Alemanha Ano Zero”
Real: Roberto Rosselini
Itália, 1948, Preto e Branco.


Na Berlim do Pós II Guerra Mundial a sobrevivência é difícil. Edmund é um jovem de doze que procura uma forma de subsistir e, ao mesmo tempo, sustentar a irmã, Eva, o irmão, Karl-Heinz, e o Pai.

“Alemanha Ano Zero” não é um filme fácil. Pode mesmo dizer-se que é difícil. De ver, interpretar e comentar. Rosselini não tem qualquer pejo em mostrar as consequências directas da Guerra e dos Extremismos que a ela levam, pela destruição física de uma cidade inteira e, servindo esta devastação como chave para interpretar o resto do filme, a própria destruição moral dos habitantes da Berlim de 1947. É como se a “piedade Cristã” que o realizador cita no inicio do filme estivesse ausente de todos os habitantes. Edmund é a personagem principal, é ele que nos vai guiar por Berlim enquanto tenta encontrar alimento ou vender alguns objectos para obter dinheiro. Como um dos fundadores da estética Neo-Realista Italiana, Rosselini mostra-nos os habitantes de Berlim sem qualquer atenuante, como gente que pensa apenas em si, na sua sobrevivência e deixando a redenção moral completamente de lado. Edmund é o único que tenta o altruísmo mas vai pagar um preço caro por isso, como se a cidade destruída não permitisse qualquer tipo de esperança aos seus habitantes.

A pobreza da cidade é também traduzida para uma pobreza técnica em termos visuais. Isto é, no entanto, uma opção estética: numa cidade em ruínas não há lugar a grandes panorâmicas.”Alemanha Ano Zero” é um filme duro, de certo modo sobre a perda da inocência, uma conclusão alimentada pelas subtilezas da interacção de Edmund com as outras crianças. Os exemplos: enquanto várias crianças brincam numa fonte, ele procura uma forma de alimentar a familia; já no final, várias crianças jogam à bola mas recusam a entrada a entrada de Edmund no jogo, reconhecendo nele algo que não apenas um míudo de doze anos.

Um Dvd- CSI: CRIME A SETE PALMOS

"Quando a TV e o Cinema se encontram"*
Real: Quentin Tarantino

Em Las Vegas um grupo de criminalistas usa a Ciência para descobrir os autores dos crimes mais indecifráveis. Desta vez, no entanto, Gil Grissom e a sua equipa têm que descobrir onde está um dos seus, antes que o tempo acabe...

“Crime Scene Investigation” é uma das mais populares séries de televisão do momento, já com sete temporadas e dois “spin-off”: Miami e Nova Iorque. Um exemplo de uma das épocas mais criativas da tv norte-americana, e que, curiosamente, foi rejeitada pela primeira cadeia a que foi oferecida, com o argumento de que se tratava de algo “demasiado confuso para o espectador médio”. Na quinta temporada os produtores convidaram Quentin Tarantino para realizar os dois ultimos episódios e o resultado é “Perigo a Sete Palmos”. A passagem de Tarantino ao campo da televisão não é nova, quer seja como realizador em “Serviço de Urgência”(já há mais de dez anos) ou como actor em “A Vingadora” , mas é atrás das câmaras que o cineasta mais faz sentir o seu estilo. As referências à cultura pop norte-americana são frequentes nos seus filmes assim como a musica tem uma ligação forte com as personagens. Nestes dois episódios assistimos a algo incomum na série: Grissom revela-nos algo da sua infância (a admiração pelo cowboy da tv Roy Rogers) e um jogo de tabuleiro baseado noutra série de tv, esta dos anos '70, “Dukes of Hazzard”. Marcas de de autor de Tarantino, assim como uma maior liberdade da câmara e mesmo uma cena que recorda a sequência inicial de Cães Danados, a primeira longa-metragem.

Pouco há a dizer sobre a edição em dvd em si mesma. A destacar apenas a possibilidade de usar o formato 16:9, aproximando este trabalho da imagem cinematográfica e manter a ilusão de se tratar de mais um filme de Tarantino. De resto, pobreza franciscana. Nenhum extra. Dada a alta qualidade dos dois episódios, e o facto de ter um dos melhores realizadores da actualidade como aliciante justificava muito mais...

*texto publicado na edição de 17 de Abril do Jornal Universitário A Cabra