13 agosto 2006

E a expectativa deu em...


SUPERMAN RETURNS
EUA; 154 min
Real. Bryan Singer

Kal-El regressa à Terra depois de uma viagem infrutífera em busca dos sobreviventes da explosão do seu planeta-natal: Krypton. Mas passaram cinco anos e o mundo aprendeu a viver sem Super-Homem, mesmo Lois Lane tem já um filho. Entretanto, Lex Luthor consegue os meios para por em prática um plano que pode levar à destruição de milhões de vidas...

Depois de muito tempo em “banho-maria”, e nomes como Kevin Smith, Nicolas Cage ou mesmo o temível McG terem estado ligados à nova aventura do Homem de Aço, foi Bryan Singer quem finalmente conseguiu realizar este “Superman Returns”. Na generalidade é um bom filme, mas talvez por se tratar do mesmo realizador de “Os Suspeitos do Costume” e “Sob Chantagem”, esperava algo melhor. Com isto quero dizer que, apesar de se tratar de um bom filme não deixa de ter, tal como o personagem que lhe dá o título, a sua Kryptonite...

A sequência inicial é muito boa, recuperando o tema composto por John Williams para o filme de 1978, assistimos à viagem de regresso à Terra de Kal-El. Infelizmente a contribuição de Williams para a banda sonora termina aqui. No restante filme o que nos é possível escutar é abundantemente repetitivo e por vezes mesmo incomodativa para o espectador. Para este sentimento de repetição da banda sonora contribui a duração do filme. Duas horas e meia torna-se dificeís de suportar...

Ainda na sequência inicial temos mais um elemento de ligação com a adaptação de 1978 de Richard Donner: a apresentação gráfica dos créditos iniciais. Ao longo do filme muitas outras homenagesn são visíveis a anteriores adaptações das aventuras do Super-Homem ao grande ecrã, desde Jack Larson ( o primeiro “Jimmy Olsen”) até à sequência final, que mimetiza quase na perfeição o final do primeiro filme de Donner.
São estas as marcas de um deslumbramento que terá acontecido a Bryan Singer quando confrontado com o facto de realizar este filme, sobre o seu super-herói preferido. Lembro que Singer desisitiu de filmar a terceira parte de X-Men quando teve a possibilidade de tomar conta do projecto “Superman Returns”. É esta atitude de “fan-boy” que é também notória nos constantes (e em certos momentos já cansativos) grandes planos do “S” no peito de Brandon Routh. A isto não será também alheia a decisão de usar imagens de Marlon Brando não aproveitadas em 1978.
Também a tentativa de colagem ao guarda-roupa tradicional se apresenta como desadequada. Jimmy Olsen continua a usar um laço e pull-over numa era em já existem telemóveis com máquina fotográfica? Não me parece...


Mas nem tudo é mau. Aliás, os pontos positivos são bastante positivos e fazem valer o preço do bilhete.

Como já referi atrás, a sequência inicial é um bom prelúdio para o restante filme. Bryan Singer prova ser um realizador com talento ao apresentar-nos alguns planos visuais interessantes. Também a insistência num actor desconhecido para o papel prinicipal prova ter sido a mais acertada. Brandon Routh tem carisma e consegue fazer bem a transição entre o desajeito e tímido Clark Kent e o confiante e inspirador Super-Homem. Singer conseguiu o “jackpot” ao encontrar alguém com semelhanças físicas com Christopher Reeve. Este facto contribui para uma sensação de familiaridade com a personagem principal, já que mais nínguem além de Reeve interpretou este papel no cinema.

Quando cada vez mais se exige que os super-heróis não seja assim tão “super”, a solução mais comum para este problema é a descoberta de um lado negro, exigia-se também o mesmo ao Super-Homem. Tal não pode acontecer, porque ele nunca conta mentiras e Jor-El, o pai, enviou-o para a Terra para servir de inspiração aos habitantes do planeta. Mas a “humanização” do alienígena é possível. Neste filme, é a solidão que atormenta Kal-El. Sendo o unico sobrevivente de um planeta extinto, o Super-Homem sente-se só. A via da humanização é, aliás um dos segredos do sucesso da série “Smallvile”. Como a sequela está praticamente garantida (como deixa antever o desvendar de um dos mistérios deste filme), resta saber como continuar a humanização de um herói como este. Uma ultima palavra para o actor que merecia mais tempo de antena. Kevin Spacey está mal-aproveitado neste filme e o seu Lex Luthor merecia mais e melhor tempo.

No geral é um bom filme, vale o preço do bilhete, mas não deixa de ter as suas fraquezas.

*** em 5

2 comentários:

Anónimo disse...

e pipocas??

sandra disse...

"Jimmy Olsen continua a usar um laço e pull-over numa era em já existem telemóveis com máquina fotográfica? Não me parece..."

e porque não..cada um usa o que lhe apetece... não conheces o ilustre Fausto Cruchinho...?