18 março 2008
In Memoriam
28 fevereiro 2008
E há mesmo Sangue
O trabalho de actores é notável neste filme. É óbvio falar na composição de Day-Lewis, mostrando a cada olhar a ebulição de ódio e desprezo no interior de Daniel Plainview, mas é de referir também o jovem Paul Dano. Em nada fica atrás de Day-Lewis, interpretando um pastor fundamentalista, fundador da Igreja da Terceira Revelação, assumindo-se como curador e veículo para a palavra de Deus. Notável como consegue fazer frente a Day-Lewis em cada cena onde se cruzam , notando também uma grande química entre os dois actores a que não deve ser alheio de PT Anderson como realizador. É fácil ignorar esta interpretação, classificando-a como “menor” face ao outro “monstro” presente no ecran, mas Eli Sunday é um “monstro” diferente. Faz-se valer e atinge os seus objectivos com as armas contrárias de Plainview. Usa a palavra doce e o olhar meigo onde o prospector é rude e curto no trato. Os dois juntos na mesma cena ofuscam qualquer actor que tenha o azar de estar por perto.
PT Anderson não teve o dinheiro que queria para este filme, o que me faz perguntar: o que faria ele se tivesse? É notória ausência de gruas ou outros mecanismos para movimentar a câmara de um lado para o outro (a steady-cam é presença nos locais onde é necessária, mas além disso pouco mais)
A banda sonora é poderossísma, Jonnhy Greenwood prova que que a AMPAS precisa de rever os critérios para nomeações ao Óscar de melhor banda sonora original. Reflecte na perfeição a tortuosidade da alma de Plainview e, no entanto, não deixa de ter momentos de calma, propícios aos planos contemplativos que PT Anderson de vez em quando encaixa no meio da narrativa.Diferente de Magnolia, Boogie Nights, Punch Drunk Love e, no entanto, mantém a mesma ligação umbilical com os trabalhos anteriores de Anderson. Todos se debruçam sobre a figura humana, seja para analisar o poder do Amor, a decadência da extrema riqueza conseguida com pouco esforço ou a necessidade desesperante de uma ligação com mais alguém. Aqui Anderson mostra-nos o lado lunar de uma alma humana, ao mesmo tempo que inscreve o seu nome na restrita lista dos cineastas que podem ser considerados Génios. Pode não ser um Citizen Kane, mas anda lá perto com toda a certeza.
Rescaldo
25 fevereiro 2008
Sem surpresas...
Oscars 80th

Jon Stewart a apresentar, com filmes da craveira de Haverá Sangue e Este País Não É Para Velhos. Apostas? (apenas categorias principais)
Filme- Haverá Sangue
Realizador - Paul Thomas Anderson
Actor Principal - Daniel Day-Lewis
Actriz Principal - Ellen Page
Actor Secundário - Javier Bardem
Actriz Secundária - Cate Blanchett
Argumento Original - Diablo Cody, Juno
Argumento Adaptado - Este País Não é Para Velhos
Animação - Ratattouille
Musica Original - Ratattouille
Montagem - Bourne - O Ultimato
Montagem Sonora - Este País Não É Para Velhos
Fotografia - Assassinio de Jesse James...
Direcção Artística - Sweeney Todd
Até já...
14 fevereiro 2008
A sério?
| The Movie Of Your Life Is A Black Comedy |
In your life, things are so twisted that you just have to laugh. You may end up insane, but you'll have fun on the way to the asylum. Your best movie matches: Being John Malkovich, The Royal Tenenbaums, American Psycho |
11 fevereiro 2008
Se eu fosse um Muppett...
| You Are Fozzie Bear |
"Wocka! Wocka!" You're the life of the party, and you love making people crack up. If only your routine didn't always bomb! You may find more groans than laughs, but always keep the jokes coming. |
Pelo menos não é o terrorista islâmico "Cocas"... Aquele verde nunca me convenceu.
07 fevereiro 2008
Call Girl (2007), António-Pedro Vasconcelos
Entra em acção a bela Maria, mulher perfeita, o ideal para seduzir o desgraçado Meireles e obrigá-lo, sem que ele se aperceba, a cair exactamente onde os corruptores queriam. Soraia Chaves, a campanha publicitária na tv foi delineada à volta dela e também o filme se foca mais nesta personagem, a Maria prostituta de luxo.
Pode estar uma boa actriz em Soraia Chaves, consegue manter uma boa quimica com Nicolau Breyner. É certo que existem exageros neste filme, as cenas de sexo são descabidas e a raiar o soft-core, talvez um pouco mais de bom gosto fosse necessário para não deixar o filme descambar para o mediatismo e imediatismo de mostrar os seios da Soraia Chaves.Mas há outra personagem central: Madeira, o policia jovem interpretado por Ivo Canelas. No gabinete desta personagem encontramos um poster de Cães Danados e aqui encontramos a filiação deste Call Girl: o cinema americano. De facto, todos os diálogos parecem saídos de um policial americano. É bom ou mau? Parece ser bom, já que não deixam de parecer com algo que aquelas personagens diriam se confrontadas com situações semelhantes, principalmente o chorrilho de asneiras que sai da boca de toda a gente.
Temos bons actores de cinema. Este filme mostra um pouco do que pode ser uma industria cinematográfica portuguesa: Ivo Canelas (o policia com mais tomates que miolos), José Raposo (convincente como policia mais velho que tenta por juizo no companheiro), Joaquim D'Almeida (o empreiteiro sem escrupulos), Virgilio Castelo (o ministro yuppie, mais preocupado com as contas) e Raul Solnado, num pequeno, mas muito sumarento papel de comunista inveterado cujo desejo ultimo era ser enterrado com uma bandeira da foice e martelo por cima do caixão.
Acaba por se perder numa campanha publicitária sensacionalista e algumas cenas descabidas, mas é extremamente divertido enquanto objecto que pretende agradar ao publico sem no entanto o tratar como um cidadão com dificuldades ao nível dos processos cognitivos.
Cloverfield (2008), Matt Reeves
Cloverfield esteve envolvido numa névoa de mistério até bem perto da sua estreia. Tudo para que os “habitantes da internet” tivessem algo para fazer enquanto o mais recente patch para o Warcraft não ficava disponível. Na verdade foi isto que aconteceu: O trailer apareceu antes da exibição do Transformers apenas com a data de estreia e o nome do produtor, JJ Abrams. Para muitos dos fãs de Alias e Lost, o nome JJ Abrams envolvido num projecto cinematográfico com explosões, gente a correr e um mistério por resolver deve ser o equivalente a uma noite de sexo louco com a Gisele Bundchen, Scarlett Johansson e Soraia Chaves. Ao mesmo tempo. O secretismo que envolveu a produção e mesmo a campanha de marketing viral é o grande segredo para o sucesso do filme. De outra forma, Cloverfield seria visto como aquilo que realmente é: Uma cópia de outros filmes do género, com o twist de vermos a acção através de uma câmara encontrada depois de os factos documentados terem ocorrido. Mas espera aí, onde é que eu já também vi isto? Ah pois, Blair Witch. E quem é que ainda fala de Blair Witch como um grande momento da história do Cinema? Nínguem? Precisamente. Acho que posso resumir este filme numa frase: Godzilla “meets” Blair Witch como se tivesse sido realizado por um Michael Mann epiléptico. Com o devido respeito ao sr. Mann...
Mas agora que já tratei de destruir de forma gratuita o filme, acho que posso falar de aspectos concretos.
Começamos por ver imagens gravadas anteriormente, de dois protagonistas, que nos estabelecem um passado idílico, e que voltarão ao ecrã sempre que for necessário estabelecer uma ligação romântica entre os dois (já que os actores não o conseguem fazer sozinhos). Depois saltamos imediatamente para a festa de despedida de um deles que acaba de arranjar um emprego no Japão. Durante esta festa conhecemos algumas das pessoas mais vazias que já habitaram uma tela de cinema. Nada a dizer, perfis de MySpace com pernas como diz o Peter Travers, uma inanidade atrás de outra. Até que por fim aparece o Monstro. Ou melhor, ouvimos o roncar poderoso dele. E quão poderoso é. Mas quando tinhamos passado os ultimos dez minutos num estado de sonolência induzido pela profundidade de diálogos anteriores, qualquer coisa nos acordava. Segue-se explosão-pessoas a correr-destruição-mimetização da paisagem urbana de NY a 11 de Setembro de 2001. Abrams disse que pretendia exorcizar alguns dos fantasmas do 11 de Setembro com este filme, pelo menos consegue imitar muito bem as imagens das cadeias informativas nesse dia e o efeito é realista, assim como o desnorteio das personagens principais face a algo que ataca a cidade e que não conseguem identificar.
A partir daqui Cloverfield assemelha-se mais a um Survival do que a um Monster Movie. É certo que o monstro está lá, convenientemente escondido pela noite e por alguns prédios, deixando o espaço para a imaginação dos espectadores trabalhar, mas a estória que seguimos é a de quatro personagens que correm para se salvar e a outra que está presa num prédio. Nesta corrida pela vida, Cloverfield convida-nos a entrar na aventura, quase na primeira pessoa uma vez que o olho da câmara nos projecta o que vemos na tela, mas o positivo esgota-se aqui. Se é verdade que mantém um ritmo elevado, também é verdade que o mantém à custa de uma pirotecnia exagerada, manipulando as emoções do espectador quando convém lembrar uma ligação romântica pouco credível e agitando a câmara de um lado para o outro, atingindo o nível da náusea muito cedo. É certo que este trabalho de câmara é propositado e atribui realismo à coisa, mas há limites para aquilo que estou disposto a aguentar numa sala de cinema.
06 fevereiro 2008
O Natal atrasado*

Ora bem, então por qual dos lugares comuns é que se deve iniciar esta crítica? “O Melhor Realizador de Todos os Tempos”; “Obcecado pelo Controlo”; “Perfeccionista”; “Frio e Não-Emocional”. A verdade é que qualquer que seja o cliché cansado e tantas vezes repetido em ínumeras ocasiões, não deixa de reflectir alguma verdade sobre Stanley Kubrick.
Sim, ele é um dos melhores realizadores de sempre, não faltam colegas bem famosos a louvar-lhe a categoria do trabalho. Sim, controlava todos os aspectos da produção em qualquer filme que estivesse envolvido. Sim, apenas a mais absoluta perfeição no mais ínfimo pormenor o contentava (Tom Cruise e Sidney Pollack que o digam, levaram três semanas para gravar uma cena!). E sim, mantém sempre uma certa distância em relação à matéria que filma, a tal emoção tão grata a outros cineastas não tem grande lugar na obra Kubrickiana.
Antes de escrever sobre a qualidade desta edição DVD, convém antes salientar uma falha. “Barry Lyndon”, filme de 1975, não está presente neste pack e a sua ausência é um pouco díficil de compreender, ainda para mais estando na linha cronológica desta colectânea.
Se é esta a pecha, o que dizer do resto? São cinco os filmes de Kubrick nesta edição, todos em edição especial de dois discos cada, perfazendo o total de dez dvd, com horas de extras. No material extra podemos encontrar o documentário biográfico “A Life in Pictures”, mais de duas horas com entrevistas a familiares, amigos e colaboradores do realizador americano. Além deste bom-bom praliné com o recheio que mais acharem saboroso, todos os outros filmes contam com fórmula semelhante: Multiplos documentários, mais curtos é certo, entrevistas e testemunhos de outros realizadores que, de uma maneira ou de outra, se sentem influenciados pela obra de Kubrick.
E sim, a angústia termina quando se exploram os extras de “2001: Uma Odisseia no Espaço”: o significado do Monólito Negro é explicado pelo co-autor do argumento.
(* texto publicado na edição de 5 Fevereiro do Jonal Universitário A Cabra)
04 fevereiro 2008
Reflexões para um Cinema Português
03 fevereiro 2008
Sarah Silverman...
Não, aquilo não é verdade. A terceira pessoa que é ali referida (não vou revelar para não estragar a surpresa de quem ainda não viu) é casada.
NNNÃÃÃÃÃÃOOOO!!!!!!!!!!

Ah! Espera...Ele já é casado! Afinal ela apenas disse aquilo para não responder a uma pergunta sobre a própria vida pessoal (sim, confirmem lá no link).
Uff!! Foi por pouco....






