05 janeiro 2008

Top 2007 - os melhores

Depois de um ano cinematográfico com algumas surpresas, também com confirmações de antecipações que por aqui fui avançando, estes são os melhores que as peregrinações às Capelinhas Cinematográficas Conimbricenses me proporcionaram neste ano...

Em 5º lugar, ocupando simultaneamente o posto de melhor filme de animação do ano:


"Ratatoille"


Afaste-se o ogre verde e a familia amarela, o prémio é para o Rato Remy, simultaneamente mais um prodígio técnico da Pixar e a prova como o Cinema de Animação pode em tudo seguir as mesmas pisadas da Imagem Real. Quem duvidar basta conferir a fabulosa luz que banha esta cidade de Paris, a cena de perseguição com suspense q.b. e a magnifíca caracterização dos vilões.


O 4º posto.


"Ultimato"


Frenético, sem medo de arriscar grandes sequências sem diálogo. Escorreito e com uma técnica de realização descrita como "câmara com parkinson". Se todos os filmes de Verão fossem assim, estariamos todos muito melhor.

3º lugar

"A Face Oculta de Mr. Brooks"

Por falar em filmes de Verão, este foi um verdadeiro oásis no deserto que é o mês de Agosto. Grandes performances de Kevin Costner e William Hurt, com destaque para o rapport que ambos conseguem manter durante o filme. A subtileza escondida: confronta-nos com as relações pais/filhos e o medo que os progenitores têm de ser substituidos. Destaque ainda para a banda sonora de Ramin Djawadi.

2º lugar


"Terra de Cegos"

O filme já é de 2006, mas só agora nos chegou. Esteve apenas uma semana na cidade, mas foi o suficiente para ser visto por uma pequena legião de fãs (meia dúzia). Estimulante, capaz de deixar o espectador à beira de um ataque de nervos com o ultimo plot-twist, um objecto tão invulgar que deixou os dois lados do espectro politico norte-americano a pensar que o filme os atacava a eles. Está lá tudo: Mussolini, Kim Jong-Il (este ultimo literalmente, está lá), a revolução cultural na China de Mao e os golpes palacianos. Brilhante a forma como neste filme vemos a História Politica da Humanidade do ultimo século e meio. E começa no design do cartaz: Realismo Socialista, anyone?

Em primeiríssimo lugar:

"Peões em Jogo"

O regresso de Robert Reford atrás das câmaras. O regresso de Tom Cruise às boas interpretações. O regresso da United Artists como um estúdio, não como apenas um carimbo. O regresso do filme-político. O regresso... Notável análise da actual situação politico-social nos Estados Unidos. A falta de envolvimento na vida publica das gerações mais jovens, as relações perigosas entre o poder politíco e os media, o sacrifio dos ignorados... Um daqueles filmes capazes de "despertar processos cognitivos nos espectadores", como li há tempos. Em vez de explosões e velocidade temos diálogos, mise-én-scéne... A critica nacional tem-lhe reagido de forma bastante morna, estaremos tão anestesiados por blockbusters que já não reconhecemos o valor de algo diferente?

Estes são os melhores, tendo tempo, outras listas se seguirão nos próximos dias ou semanas.

Regresso

Este foi um dos motivos da ausência...


A curta-metragem tem como título "Encontramo-nos onde nos encontramos sempre" ou "EONES 22- O Planeta Proibido" para os fãs de ficção ciêntifica...
Outros: preguiça da minha parte e recusa do blogger em aceitar videos do Youtube.

29 outubro 2007

Mas Porquê?!?!?!?

Está na calha um remake de "Os Pássaros". Planeado para estrear em 2009, com Martin Campbell como realizador e com, de acordo com os rumores, Naomi Watts no papel que apresentou Tippi Hedren ao mundo do Cinema.


A actriz descoberta por Hitchcock já veio fazer a questão que se impõe quando nos vemos confrontados com as carradas de remakes, recontextualizações e reimaginações que nos têm invadido nos ultimos tempos: " Não se arranjam novas estórias, novas coisas para fazer? Temos de ser tão inseguros que nos refugiemos num sucesso e fazer tudo de novo outra vez?"

Nunca tinha pensado na questão por esta perspectiva, mas não deixa de fazer sentido. Todo o sentido do Mundo, aliás...
Sempre encarei esta voragem pelo Passado e pelos seus sucessos como uma tentativa de requentar sucessos e continuar a fazer dinheiro com o que já tinha dado resultado apenas pelo lado financeiro. "A quick way to make an easy buck", como diriam os próprios nativos da Indústria Hollywoodesca. No entanto, conhecendo a natureza frágil, e tão dada à busca de aprovação do génio criativo, não deixa de surpreender que numa sociedade cada vez mais infantilizada se procure a gratificação rápida, sem qualquer risco ou perigo de falhar para alcançar o sucesso e reconhecimento.
Arrojo e capacidade inventiva é o que se espera dos Cineastas. Originalidade e valor acrescentado à experiência de nos deslocarmos e sentarmos numa sala de Cinema. Acrescente-se a toda esta linha de argumentação (iniciada por uma improvável ex-modelo) que, normalmente, os remakes ficam sempre muito aquém dos filmes que pretende "recontextualizar" para "um publico mais jovem".
Felizmente ainda nínguem se lembrou de refazer o Citizen Kane. Ou o Jules et Jim. Nem tocaram ainda no Kubrick...
Infelizmente não se pode dizer o mesmo de Casablanca, Janela Indiscreta, Psico...

27 outubro 2007

Jake Kasdan + Judd Appatow

Resulta em Walk Hard: The Dewey Cox Story. O primeiro senta-se na cadeira de realizador, ambos escrevem o argumento e produzem o filme.

Com John C. Reilly no principal papel, conta a estória de um ficcionado cantor blues dos Estados Unidos, com amizades desde os Beatles até um Elvis estranhamente parecido com Jack White...

Depois do mockumentary, popularizado e levado ao extremo da loucura por "This is Spinal Tap", podemos estar a assistir ao nascimento de um novo género cinematográfico que, para já, vou baptizar de "BioFake" (fica no ouvido, não?). Depois de já termos levado com o infeliz "Talladega Nights: The Ballad of Ricky Bobby", agora chega mais um biopic ficcionado. As expectativas são elevadas, dado o envolvimento de Jake Kasdan e Judd Appatow (ambos trabalharam em "Freaks and Geeks" e em "Undeclared"), mas vamos esperar pelo resultado final, e a estreia a 21 de Dezembro para lançar os foguetes. Para já, o trailer:

São evidentes as paródias aos biopics de Johnny Cash, Ray Charles, Bobby Darin, Elvis (?)...

O link aqui, já que o YouTube não me deixa fazer copy/paste do código embeded, sem alterar profundamente o HTML, e como eu não percebo nada daquilo...

25 outubro 2007

Mais uma vez, a maltinha do Cinecartaz não tem vontade de trabalhar


Era este o panorama às 00:14 de quinta-feira, 25 de Outubro. Posso apenas especular que os jornalistas responsáveis pela actualização desta página sejam também estudantes na Universidade de Coimbra e tenham jantar de curso e uma delocação à Serenata Monumental... De certeza que amanhã já estará qualquer neste espaço por agora desocupado.

23 outubro 2007

GENIAL!


James Lipton é uma das pessoas mais respeitadas do mundo da representação cinematográfica nos Estados Unidos.

É o reitor do Actor's Studio, talvez a mais respeitada escola de actores.

Durante 13 anos tem sido o apresentador do Inside the Actor's Studio, onde entrevista os mais consagradas actores de sempre (Al Pacino e Dustin Hoffman já passaram por lá, assim como Hugh Laurie e Robin Williams)



James Lipton viveu em Paris durante a juventude... E foi Chulo. A sério. Proxeneta. E resoveu escrever isso nas suas memórias, que saírão em breve.


Para que não fiquem dúvidas, deixo o texto em inglês: "I had to accompany my clientelle to the Rue Pigalle, which is where these things occurred. And then I'd take them up to the room and I had to remain there because they were very nervous, they were young Americans for the most part... and they didn't speak French"



E já agora, o link de onde tirei isto.

06 outubro 2007

Já que nenhum deles veio para Coimbra...

Aqui ficam os trailers falsos do projecto Grindhouse dos Sr.s Tarantino e Rodriguez. Dizem os rumores que o "Machete" vai mesmo ser produzido (acho que já foi e tinha o Mark Whalberg e o Danny Glover, mas isso são outras estórias).







05 outubro 2007

Off-Topic

São boas notícias. Mas confesso que não sei como é que vai acontecer...

25 setembro 2007

Post celebratório e onanista

Este já não é propriamente o post número 100, mas serve para o comemorar. E que melhor forma de o fazer que com... Mais Daily Show?

Buck Henry é o co-criador (com Mel Brooks) de uma das melhores sitcom de culto: Get Smart, que em Portugal recebeu o assassino título de Olho Vivo. Recentemente apareceu no Daily Show com o objectivo de dar alguma visão alargada sobre os acontecimentos que vão afectando o mundo da política norte-americana. Aqui está ele, na sua segunda partiicipação como "Perspectivista Histórico" a falar sobre as prim+arias presidenciais nos estados de Iowa e New Hampshire.

"I am no longer Jason Bourne"

THE BOURNE ULTIMATUM
De: Paul Greengrass
Com: Matt Damon, David Strathairn, Joan Allen, Julia Stiles
EUA, Cor, 2007, 111 min.

Jason Bourne continua vivo, mesmo depois da frenética perseguição automóvel que quase o matou no final do segundo filme, e agora vai finalmente regressar ao seu país natal para descobrir quem era antes de perder a memória.

Há cerca de dois meses vi uma entrevista a Matt Damon em que lhe elogiavam o facto de esta terceira parte da trilogia Bourne não desiludir. Damon respondeu “We're just happy it doesn't suck!”. A resposta bem-humorada do actor é talvez sintomática da qualidade que sentiu que o filme viria a ter, ainda durante as filmagens do mesmo. E se, de facto, pressagiou um sucesso comercial e de crítica, não errou em nada. “Ultimato” prometia muito na sua campanha publicitária e trailers e não desilude. Tudo o que estava nos dois capítulos anteriores mantém-se mas, ao contrário do que seria de esperar numa sequela, a frescura ainda lá está e a surpresa ainda é possível. Nomeadamente numa longa perseguição nas ruas apertadas de Tânger, onde toda a técnica do realizador Paul Greengrass é aplicada de forma magistral no que se torna a peça central do filme e deixa o espectador sem fôlego e, simultaneamente, a pedir mais. Acompanhada por uma banda sonora dinâmica que apenas ajuda ao tom frenético e visceral da luta que termina esta sequência, que como nenhuma outra até hoje, iguala a perseguição automóvel de John Frankenheimer em “Ronin”.

O crítico Richard Corliss, da Time, referiu-se aos movimentos de câmara aparentemente erráticos de Greengrass como “Parkinson”, mas é esta característca que confere tanto realismo a um filme que poderia muito facilmente deambular para o mundo das proezas com duplos e câmara fixa a observar a acção ao longe. A sensação de movimento transmitida ao espectador não é apenas um ponto forte neste filme, é O ponto forte.
À terceira vez, Matt Damon mantém o registo que já tinha encontrado nas outras aventuras de Jason Bourne, mas agora acompanhado por um David Strathairn em grande forma, personificando aqui as loucuras securitárias desproporcionadas para com os mais comuns cidadãos no mundo actual. Já no filme anterior a personagem de Joan Allen se revelava como a possível ligação e ajuda de Bourne na sua busca das memórias perdidas; neste ultimo capítulo ela será essencial enquanto se antecipa às jogadas de poder dentro da CIA e dá a Jason as armas necessárias para descobrir a verdade. Verdade, que no final de contas, não era bem aquilo que ele esperava, mas não vou revelar mais.

Eléctrico, mas capaz de prender o espectador ao ecrã com personagens reais, esta é a terceira parte que redime os tiros ao lado que povoaram o resto do Verão.

Ainda sobre Superbad

Aqui fica o genérico inicial, que tanto louvei alguns posts atrás. Gravado numa posição lateral e com muita tremideira, mas acho que dá para perceber o que quis dizer atrás.


"I AM McLOVIN!"

SUPERBAD
De: Gregg Mottola
Com: Jonah Hill, Michael Cera, Christopher Mintz-Plasse, Seth Rogen.
EUA; 2007; Cor; 113 min.

Seth e Evan são amigos de longa data que agora enfrentam os ultimos dias do secundário já com a certeza de partirem para universidades diferentes. Fogell é também seu amigo e o único mais “geek” que eles os dois. Todos os três estão agora empenhados em arranjar alcóol para uma ultima festa e, deste modo, conseguirem impressionar as raparigas com as quais não conseguem comunicar de forma normal.
Lembram-se do secundário? De como tudo era estranho e como os rapazes falavam com os membros da sua “tribo” e as raparigas faziam o mesmo? O problema não era querer falar com elas, o problema era saber o que dizer, impressionar.
Seth Rogen e Evan Goldberg escreveram a base para este argumento quando tinham treze anos e o facto nota-se. Sim, o humor é muitas vezes infantil, mas o facto é que é essa a intenção deste filme: piadas quase escatológicas, sem nunca atingir os níveis de alarvidade de outros do género teen comedy. De facto, há aqui bastantes exemplos de piadas que podem revoltar muito boa gente de gosto mais elevado, mas o objectivo de entretenimento de massas é bem sucedido, com qualidade assinalável, até pela composição das personagens: três pobres desgraçados, ignorados por toda a “malta fixe” da escola o que lhes atribui uma qualidade de pessoas reais em situações de comédia, uma marca muito presente nos projectos do Judd Apatow.
Pessoas reais que não deixam de ter, no entanto, a sua faceta de exagero. Fogell/McLovin é uma personagem que só se poderia ver num filme mas, no entanto, é impossível não deixar de sentir uma certa compaixão, ou até mesmo ligação com o atrapalhamento genuíno e desconforto ao lidar com outras pessoas. Destaque, então, para o estreante Christopher Mintz-Plasse.

Mas voltemos ao inicio. O inicio do filme, para ser mais preciso. O genérico inicial estabelece logo nos primeiros 60 segundos o que será o tom do filme: diversão. Sem dúvida ajudado pela música Funk dos Bar-Kays e o tema “Too hot to stop”, este primeiro contacto do espectador é mais do satisfatório ao apresentar-lhe o que pretende ser afinal este Superbad.
Infelizmente as ultimas comédias que nos têm chegado dos EUA afinam pelo mesmo diapasão moralista (Evan, Licença Para Casar), algo que este filme consegue esconder muito bem. O moralismo pode até lá estar (a necessidade de crescer e aceitar as mudanças), mas é bem escondido numa cena final com muito significado e propensa a interpretações demoradas sobre as relações entre sexo masculino e feminino.

Rodado e estreado depois de “Knocked Up” (outro projecto da dupla Apatow/Rogen), Superbad chegou ao nosso país antes do primeiro, servindo assim como uma espécie de aperitivo para primeiro. Honesto, sem quaisquer intenções para lá da comédia bem-humorada, é um filme a rever, e a comprar assim que surgir edição em dvd.

22 setembro 2007

As coisas que se descobrem por aqui...

Este senhor chama-se Issur Danielovitch Demsky e é filho de judeus russos que migraram para os Estados Unidos no início do século XX.




Já a graça deste outro senhor é Ramón Gerardo Antonio Estévez e é filho de um metalúrgico galego e uma irlandesa com ligações familiares ao IRA.
Dão-se alvíssaras a quem descobrir debaixo de que pedra saíram Meg Ryan, Sean William Scott, Jason Biggs, Sally Field...

O Fim (1999-2007)

A Premiere portuguesa vai ser descontinuada. A noticia já tem uma semana, mas tenho algumas considerações a fazer e este é o momento certo para as escrever.

Parte da grande família de Premieres internacionais, o que era a versão portuguesa desta revista de cinema?
Quando há oito anos atrás a revista apareceu, corri a comprá-la e mantive-me leitor assíduo durante muito tempo no entanto, à medida que o meu conhecimento sobre Cinema e comecei a consultar de forma mais regular sites internacionais de outras publicações de qualidade (Empire, Total Film, Rolling Stone), senti a nossa pequena Premiere a ser cada vez mais pequena. As noticías publicadas tinham já quase um mês de existência, os erros factuais eram inadmissívelmente muitos e as críticas tinham o típico toque português ("tomem lá a minha erudição enorme, não quero saber se vocês percebem do que estou a pensar ou não"). Deixei de a comprar no ano passado. Lembro-me que o momento decisivo para o divórcio foi mesmo uma edição no Verão passado, em que a capa era mais um destaque a uma entrevista traduzida de uma das versões internacionais, já não consigo precisar qual, e pensei: mas nós também temos uma pequena indústria cinematográfica, porque será que não pode ser ela alvo de destaques numa revista de Cinema publicada para os leitores portugueses? Decidi não a comprar mais a partir desse momento e ler noticías e críticas a partir da internet.

Agora temos a notícia de que não mais verei nos escaparates a "nossa" Premiere (devidamente traduzida da versão americana) e não posso deixar de sentir uma certa nostalgia. Não, não era grande coisa, mas sempre era ALGUMA coisa, é este o sentimento de toda a gente com quem tenho partilhado esta conversa.

E ficámos a saber pormenores da vida da revista: uma redacção com apenas três repórteres, impressão feita em Espanha para ser mais cost-effective aos cofres da empresa.

É o fim de uma revista com as suas (muitas) imperfeições, mas que era a única da especialidade publicada no nosso país e que servia como bom ponto de partida para qualquer pessoa interessada em Cinema. A devida vénia aos bons momentos e o desejo de de uma boa Eternidade nesse local para onde vão as coisas publicadas que já não fazem parte do nosso quotidiano. Outubro verá a sua ultima edição.

P.S. Acabo de visitar o site da Premiere portuguesa e confirma-se o que José Vieira Mendes tinha já dita a versão on-line do Sol: o site também acaba, ao contrário do que aconteceu nos Estados Unidos, e temos já o lacónico comunicado do Media Group responsável pela gestão do título em Portugal.

Apetece-me escrever sobre uma coisa estupida

Deve ser um dos sinais da vinda do Anti-Cristo. A seguir a isto chegarão os Quatro Cavaleiros.

Está pronto a ser lançado o 6º capítulo da saga American Pie. Com o título original "American Pie Presents: Beta House", é para mim uma total surpresa, pois nem sabia da existência de uma quinta parte... É claro que a pergunta que se impõe é: MAS PORQUÊÊÊÊ?!?!?!?!? Os outros todos já não eram suficientemente maus? O facto de a terceira parte ser a ultima a ter estreia em sala de cinema não é suficiente para matar o monstro?

E Eugene Levy, porque é que ainda aí continuas? Tu tens a tua dignidade de bom actor de comédia, porque te arrastas em maus projectos como um Martin Lawrence ou um qualquer irmão Wayans? Precisarás assim tanto do dinheiro? As dívidas de jogo devem ser gigantescas...

15 setembro 2007

E a boa notícia do final do Verão é...

Jon Stewart vai voltar a apresentar os Óscares! Depois do espectáculo pouco compreendido (pelos espectadores e imprensa norte-americana) que foi a performance de 2006, Stewart j+a se afirmou muito contente por ter esta segunda oportunidade até porque: "como se costuma dizer, à terceira é de vez!" - Sim, ele disse mesmo isto.



Para provar como ele é Grande, aqui fica o video da famosa aparição de 2004 no programa da CNN, Crossfire. Algumas semanas depois, o programa seria cancelado... Sim, porque o director do canal concordou com a intervenção de Jon Stewart.

E o link para uma reportagem da Rolling Stone, em conjunto com Stephen Colbert, já de Outubro do ano passado.

28 agosto 2007

“Mr Brooks”
De: Bruce A. Evans
Com: Kevin Costner, William Hurt, Demi Moore, Dane Cook
EUA, 2007, 120min, Cor.

Earl Brooks acaba de ser eleito Homem do Ano pela Câmara de Comércio da cidade onde vive. No entanto, nem tudo está bem na sua vida. Sem o conhecimento da sua mulher, Mr. Brooks é um serial killer, fora do activo há cerca de dois anos, mas não deixa de o ser. Mr. Brooks mata pessoas pelo puro prazer, levado a isso pelo seu alter-ego, ao qual dá o nome de Marshall.

É dificil ver um filme novo com o Kevin Costner. Nunca se sabe muito bem o que vai sair da tela: se um “Danças com Lobos” ou um “Carteiro” e, talvez por isso, este filme tem tido uma recepção tão mista por parte do público e dos críticos especializados. Com um argumento muito sumarento, cheio de pormenores que podem escapar à primeira vista e com Demi Moore também no elenco, este filme tem os elementos mais do que necessários para falhar mas, no entanto, não falha! É verdade que a primeira aparição de William Hurt no ecrã poderia ter sido retardada mas acaba por fazer sentido que surja nos primeiros cinco minutos de filme quando nos apercebemos que faz parte de uma estória já com um passado, que não começa no momento em que o projector se liga, mas a que apenas somos convidados a assistir uma parte (Costner já falou numa trilogia). O que à partida parece um erro: apressar a apresentação ao publico de uma das personagens fulcrais para o filme acaba por se revelar um acto normal na existência tortuosa de Mr. Brooks, assombrado sempre pelo desejo secreto de matar e sentir a emoção, o prazer que lhe advém desse poder sobre as vidas de outros. Apesar de parecer fugir um pouco ao ponto forte que é a comunicação entre Mr Brooks e Marshall, é inevitável não notar o grande rapport entre Kevin Costner e William Hurt, que chegam mesmo a proporcionar alguns dos melhores momentos do filme. Este relacionamento leva-nos para o campo do thriller psicológico, o que normalmente indica que não haverá grande espaço para personagens secundárias.


Não gosto da Demi Moore. Acho-a uma má actriz que só teve grande sucesso comercial sem nunca atingir a condição de Actriz. Deixo considerações sobre o sucesso dela para outras pessoas. Neste filme ela interpreta a detective que persegue Earl Brooks. Tal como muitos pormenores nesta película, a sua primeira aparição parece descontextualizada (afinal, o que é que nos interessa saber quem investiga este caso, e ainda por cima, o divórcio dela), mas nem tudo o que parece é. O processo de divórcio da detective Tracy Atwood irá desempenhar uma grande papel no desenlace deste filme e Demi Moore consegue defender-se razoavelmente.
É complicado escrever sobre este filme devido à sua enorme complexidade de estórias e pormenores que terão uma influência vital no desenrolar da trama. Penso ser este o maior elogio que se pode fazer a “Mr Brooks”: o facto de estimular o espectador, não lhe dar descanso e chegar mesmo a apresentar personagens extremamente secundárias vindas do nada que tinham apenas sido referidas em conversas passageiras.


Mr Brooks não é o serial killer habitual que a cinematografia norte-americana nos apresenta. Não tem nenhuma capacidade extraordinária, nenhum poder sobrenatural e, à primeira vista, a patologia que apresenta não é causada por nenhum trauma de infância. É um tipo normal, que planeia minuciosamente os seus crimes com acesso à internet e que, “simplesmente”, gosta de matar. Aliás, é este um dos grandes temas deste filme: a nossa relação com os nossos vícios, como os tentamos controlar e a forma como nos podem destruir se não tivermos cuidado. O outro tema que podemos apanhar no sub-texto deste filme é bastante mais evidente: a relação entre Pais e Filhos. A forma como Mr Brooks receia que a filha também seja agora uma homicida e o medo profundo que sente que ela o tente matar para herdar mais rapidamente o negócio da família e a comparação com o relacionamento da detective Atwood com o seu próprio pai é uma das situações mais marcantes do filme.

Como já escrevi em cima, é muito díficil saber o que esperar de um filme com Kevin Costner. Um actor que conta com tantos flops como sucessos no currículo torna-se muito díficil de seguir e ainda mais de avaliar. Costner parece ter a sua carreira sempre à espera do falhanço que o vai colocar definitivamente no “Lado Escuro da Força”, no entanto não é este “Mr Brooks” onde até consegue uma performance digna de aplauso, mantendo sempre um registo de contenção na interpretação de um serial killer com problemas de consciência e medo de que a familia venha a descobrir aquilo que faz nos tempos livres.
Ainda uma palavra para a banda sonora de Ramin Djawadi, que contribui em muito para o ambiente sombrio que se vive durante todo o filme e que merece ser escutada sem auxiliares visuais.

Divertido nos momentos certos, sem medo de tratar o espectador como uma criatura inteligente que não está na sala de cinema de cinema apenas para comer pipocas, “Mr Brooks” surpreende até pelo facto de o realizador responsável ter apenas no currículo uma comédia infeliz do início dos anos 90. Estimulante e sem medo de andar na fina linha entre o thriller e o rídiculo, um filme a rever quando possível.

22 agosto 2007

Um oásis no deserto

“Ratatouille”
Real: Brad Bird
Vozes: Patton Oswalt, Lou Romano, Janeane Garofalo, Ian Holm, Peter O'Toole
Animação, EUA, 2007, 110 min.

Remy tem um dom invulgar: consegue um olfacto apuradíssimo que lhe permite sempre escolher os melhores ingredientes para cada prato a cozinhar. Só há um senão: Remy é um rato. Perdido do seu clã e acabado de chegar às paredes do mais famoso restaurante de Paris, vai perseguir o seu sonho: tornar-se num dos maiores Chef de França.

Tornou-se lugar comum dizer que qualquer filme que saia da Pixar é um clássico instantâneo, um filme magnifíco, digno de figurar no Panteão dos Maiores de Todos os Tempos. Não sendo tão exagerado, a verdade é que o estúdio do candeeiro tem mantido um nível de qualidade impressionante durante os cerca de dez anos de trabalho que levam. Uma reputação que levou um pequeno safanão com o menos bom “Cars”, do ano passado. Não que fosse mau, mas fiquei com a impressão que passou um pouco ao lado do público.
Regresso anunciado neste ano com Ratatouille, com a recuperação do realizador Brad Bird, responsável pelo fantástico “The Incredibles”. Brad Bird tem um passado noutro nome grande da animação para adultos (sem conotações pornográficas). Foi consultor durante cerca de dez anos nos Simpsons e ajudou mesmo no desenvolvimento da série para o formato de meia hora que conhecemos agora.
Não vou descrever o prodígio técnico da animação, torna-se já redundante falar de como as personagens se mexem ou como todos os elementos parecem verdadeiros num filme da Pixar. Vou atrever-me a ir um passo mais à frente e não falar em imagens geradas por computador, mas referir a qualidade da fotografia nas cenas de exteriores, a excelente interpretação do boneco de Peter O'Toole, aqui a encarnar um crítico culinário com todos os tiques e expressões que imaginamos num crítico implacável (de qualquer área). Pode mesmo ser encarado, em conjunto com o Chef Skinner, como a vizualização perfeita do que é o vilão no Cinema. O crítico Anton Ego com o seu aspecto esguio e rodeado por uma coloração cromática mais negra e Skinner apresentando uma deficiência física, ainda que subtil: é o mais baixo de todas as personagens, envergando ambos olheiras bastante profundas. As restantes personagens são criadas de tal forma que é inevitável não sentir de imediato uma forte ligação com elas. (A isto chama-se carisma, algo que faltava no filme de que falei mais abaixo.)

Durante muito tempo foi um problema para a Pixar o aspecto das suas personagens humanas, desde o aspecto a cair para o realista de “Toy Story”. Este é um problema que parece estar mais do que ultrapassado com a afirmação do look mais cartoonesco das suas personagens, o que chega até a permitir a Linguini alguns dos momentos mais hilariantes do humor slapstick dos ultimos anos cinematográficos.

Falta referir o mais importante: o argumento, a estória, a forma como a trama é apresentada ao espectador e como este reage perante desenvolvimentos apresentados no ecrã. Também aqui Ratatouille se revela um sucesso. A estória segue o seu próprio ritmo, sem nunca se apressar para atingir determinado objectivo ou evoluir para o próximo patamar. Até a estória de amor parece surgir de forma natural, sem ser apressada ou colocada à pressão apenas para encher mais um pouco de tempo.
Sim, é um filme de animação, mas nem por isso deixa de mostrar todos os aspectos necessários para ser categorizado na estante do Cinema, com maíuscula, apresentando mesmo alguns dos planos e movimentos de câmara que já vi este Verão.

P.S. Assim que estrear um certo filme com uma certa abelha logo se verá qual dos dois é que leva para casa o troféu com o coração do público.

21 agosto 2007

Mais um... E a paciência a diminuir...

“A Ultima Legião”
Real: Doug Lefler
Com: Colin Firth, Ben Kingsley, Aishwarya Rai, Thomas Sangster
EUA, Reino Unido, França, Cor, 110 min.

460 D.C., o Império Romano é finalmente invadido pelos Bárbaros do Norte e o ultimo Imperador, o jovem de doze anos Rómulo Augusto capturado e enviado para a prisão de Capri. Aí, descobre uma espada à muito tempo perdida e, com os seus ultimos seguidores, foge para a Britânia, território onde se julga estar a ultima legião romana que não caiu sobre o domínio dos invasores da Cidade Eterna.
Há uma coisa que me irrita mais que um filme mau: um filme mau que poderia ter sido bom. É o caso. À partida, sabendo que o argumento tinha sido baseado na obra de um professor de arqueologia clássica, as expectativas já eram bastante boas: “ena, o tipo que escreveu o livro em que se baseia o filme percebe do assunto! E é italiano!”. Sim, é verdade. Chama-se Valerio Massimo Manfredi e a obra em causa tem o mesmo nome do filme. Mais expectativas: o Colin Firth até é bom actor. E, caramba, tem o Ben Kingsley! Depois o balde de àgua fria quando pesquiso o nome do realizador para dar um bocadinho mais de sumo no programa de rádio... Tem experiência em televisão... Em séries como “Xena- Princesa Guerreira” e “Hércules”... A única longa-metragem que realizou saiu directa para vídeo e era uma sequela do “Coração de Dragão”... E sim, a experiência televisiva faz-se notar e de que maneira! Até o estilo de comédia da séries que referi em cima pode ser encontrado de uma forma mais subtil.

Isto era o que sabia antes de ver o próprio filme e decidi mesmo dirigir-me à sala, convencido com o aspecto aceitável do trailer.

A primeira coisa a saltar à vista é a banda-sonora. Não, não me enganei, a banda sonora deste filme chega a ser irritante dada a aparente necessidade sentida pelo realizador de pontuar 90% das cenas com música. Não devo errar em muito a percentagem e chega a ser angustiante ter de aguentar tanta musica quando a ausência da trilha sonora podia servir muito melhor para acentuar e aumentar a intensidade dramática de várias cenas. Colin Firth e Ben Kingsley não são nomes habituais em épicos ou no cinema peplum e têm performances distintas. (apesar de já não estarmos no espectro temporal da Antiguidade Clássica, tudo o que tenha Romanos é normalmente classificado como Peplum: reclamações para o mail do costume). Firth aproveita as poucas linhas de diálogo com que todas as personagens são brindadas para agarrar bem o papel de Comandante em busca do fim das mortes mas disposto a uma ultima batalha para cumprir o juramento sagrado. Já Kingsley... é Kingsley! Admitamos: Ben Kingsley não tem grande carisma. É um óptimo actor, mas não consegue que os espectadores gostem dele apenas porque sim. Recordo para este efeito “House of sand and fog” e a performance fantástica que obriga o espectador a sentir a dor daquela personagem, mas o magnetismo que leva o publico a querer o sucesso daquela personagem não é o forte dele. Neste filme, para piorar o cenário, o argumento não o ajuda em nada e a sua personagem tem o carisma de um carapau congelado. Portanto, alguns bons actores e outros que deixam algo a desejar, com o destaque a cair direitinho para os Godos que tomam a capital do Império.

Referi no início o autor do livro e a credibilidade que lhe é conferida pelo seu estatuto profissional. Pois bem, este material é muito raramente aproveitado para o Cinema, a queda do Império Romano, e tem potencial pois é uma boa oportunidade para dar ao público o final da grandiosidade transmitida em outros filmes do género. Um pouco o final da festa que se viu em clássicos como “Ben-Hur”, “Spartacus” ou mesmo o mais recente “Gladiador”. Não duvido do potencial que poderá estar incluído no livro, até porque de acordo com os créditos finais, este filme é baseado apenas em “parte da obra”, no entanto não é díficil notar uma certa espiral de qualidade descendente até ao final do filme, com os diálogos a tornarem-se ainda piores do que já eram e com a grande batalha final a ter um final absolutamente ridículo...

16 agosto 2007

O Lado Negro da Força

E o pior filme de todos os tempos é...
É sempre complicado elaborar uma lista dos piores ou melhores, e normalmente abstenho-me dessas considerações (até por não as achar lá muito uteís), mas desta vez, não posso deixar de assinalar o facto de alguém se ter dado ao trabalho de vasculhar no imenso esgoto da indústria cinematográfica e retirar alguns dos maiores destroços flutuantes que normalmente só se encontram em... Acho que já fui suficientemente desagradável. A lista completa a partir daqui.

15 agosto 2007

Gondry de volta

Chama-se "Be Kind, Rewind" e é próximo flme do francês Michel Gondry. Com Mos Def e Jack Black nos principais papeís, conta a estória de um empregado de um videoclube (Def) que vê as cassetes inadvertidamente magnetizadas pelo seu melhor amigo (Black) e, desta forma, inutilizadas. Para salvar o emprego decidem então filmar novas versões de clássicos como "Robocop", "Driving Miss Daisy" e "Ghostbusters". Com um aspecto muito parecido com a saudosa sitcom "Paraíso Filmes", tem data de estreia nos Estados Unidos marcada para dia 21 de Dezembro. O trailer está aqui.

14 agosto 2007

Células estaminais e prostitutas holandesas

Prova do "savoir-faire" de timing cómico do Steve Carell é este excerto da extinta rubrica "Even Stevphen" num Daily Show que deverá ser de 2003 ou 2004. Nesta rubrica tanto Steve Carell como Stephen Colbert entravam em acesas discussões sobre um tópico, normalmente com opiniões diametralmente opostas (como convém nestas situações). Hoje em dia Carell é a estrela da versão americana de The Office, na NBC, enquanto que Colbert continua na Comedy Central, mas no seu próprio programa, um spin-off do Daily Show: The Colbert Report.




12 agosto 2007

Meninas...


O Peter Travers dá-lhe quatro estrelas...

11 agosto 2007

Post de ódio semanal

Que os MTV Movie Awards são rídiculos já todos sabíamos, com categorias tão credíveis como: Melhor Beijo, Melhor Vilão ou Melhor Cena de Luta. Mas esta, confesso, ainda não conhecia: "Best Summer Movie You Haven't Seen Yet". O vencedor foi "Transformers" e a lista de nomeados é ainda mais patética...
“Evan Almighty”
De:
Tom Shadyac
Com: Steve Carrell, Lauren Graham, Morgan Freeman
EUA, 2007, Cor, 95min

Evan Baxter acaba de se despedir da televisão onde trabalhava para se transformar no Congressista Evan Baxter. No entanto, o seu slogan de campanha “Vamos mudar o mundo” atraiu a atenção de Deus que o vai incumbir de repetir a tarefa de Noé.
Gosto de Steve Carrell. É um excelente actor de comédia, com um timing de entrega muito bom e com um passado de aprendizagem no Daily Show. Posto isto, não há muito mais de positivo a dizer deste filme. Altamente antecipado, devido ao seu elevado orçamento (175 milhões de dólares) que o transformaram na comédia mais cara de sempre, e também porque Carrell é O comediante do momento nos Estados Unidos. Certamente que conseguirá uma boa performance nas bilheteiras, mas não ficará na memória de muita gente e o próprio Carrell o deverá lembrar como não mais do que “o-filme-que-me-pagou-a-casa-de-férias”.
Mas falemos então do próprio filme e das impressões que me causou. Apesar de ter alguns bons pormenores humorísticos, alguns até de referência ao próprio actor principal (o cameo de Jon Stewart; um filme em exibição numa sala de cinema), na generalidade a comédia reduz-se ao humor físico mais básico: Evan tropeça num pedaço de madeira; Evan horroriza os mais próximos com a sua barba enorme; Evan acerta no dedo quando tenta martelar um prego. O tom que percorre todo o filme é o de uma tentativa de evangelização da plateia, por vezes disfarçada transformando o filme numa comédia desonestamente moralista, outra vezes não escondendo a sua tentativa de apelar ao público do “Bible-Belt” norte-americano.

Tom Shadyac não desilude mas também não deslumbra, uma realização competente q.b.. No entanto, e contrariando a tendência normal para a perfeição visual das grandes produções americanas, não é difícil de notar o aspecto sujo da fotografia, mais facilmente visível quando a acção pede rápidos movimentos de câmara. Outro aspecto visual que os diversos trailers anunciavam de forma menos airosa são os efeitos visuais. Com um orçamento a roçar as duas centenas de milhões de dólares, seria de esperar um maior cuidado visual com o aspecto final do filme. Tal não se verificou e são facilmente identificáveis quais as figuras adicionadas em pós-produção e quais as que estavam mesmo no plateau.

Como já escrevi, é nos pequenos pormenores que o filme revela a sua veia mais humorística mas, agora olhando para o plano mais geral, a nível do argumento, custa ver como a comédia que podia transformar este num bom filme, é constantemente subjugada pela tentativa de passar uma mensagem. Mensagem essa (o mundo pode ser mudado com um acto de bondade de cada vez), que parece direccionada a um público demasiado específico, e sempre apresentada como se a audiência fosse composta por alunos do ensino primário. A pretensão de tocar e modificar a alma do público acaba por prejudicar a comédia que, mantendo-se honesta e não tendo medo de ser comédia teria muito mais a ganhar.
A destacar ainda a performance de Lauren Graham, que depois do papel em “Bad Santa” (2003, Terry Zwigoff) parece, infelizmente, destinada a alternar uma carreira televisiva com papeís secundários em filmes menores. Uma ultima palavra ainda para Steve Carrell: esperamos melhor de “Get Smart”, a estrear no próximo ano.

05 agosto 2007

Leões e Cordeiros

À algumas semanas atrás falei do próximo projecto do Sr. Redford. Tenho agora mais pormenores e um poster:

É a primeira produção da United Artists desde que Tom Cruise e Paula Wagner tomaram conta do estúdio e teve um orçamento de 35 milhões de dólares ( uma pechincha nos States, um sonho erótico para a indústria portuguesa).

Janela pouco discreta

“Paranóia”
De: D.J. Caruso
Com: Shia Laboeuf, David Morse, Sarah Roehmer
104 min; EUA, Cor, 2007


Kale é um jovem em prisão domiciliária, e descobre que ao vigiar a vizinhança através das janelas de casa consegue atenuar o tédio de estar fechado em casa durante os meses de Verão.

Tenho uma paranóia em relação aos “remakes”: tenho sempre receio de os ver, porque o original já era bom e não havia necessidade de lhe mexer e, como se costuma dizer- “Don't fuck with the Classics!” No entanto, em relação a este “Disturbia” as minhas esperanças estavam algo positivas porque o trailer tem bom aspecto, o Shia Laboeuf confirma-se como bom actor, “The Next Big Thing” provavelmente, e o David Morse é o David Morse, nunca desilude naquele seu estilo estou-mal-disposto-e-lixo-a-vida-a-quem-se-meter-comigo.

Mas comecemos pelo inicio. Kale (Laboeuf) perde o pai num acidente de viação na viagem de regresso depois de uma ida à pesca e, diga-se de passagem, é capaz de ser o acidente de viação mais estúpido que já vi no Cinema. A partir daí o jovem, fruto de uma relação próxima com o pai, passa a ferver em poiuca água quando alguém invoca o nome do sacrossanto progenitor. Corta para a aula de Espanhol quando o azarado professor resolve clamar pelo pai do protagonista e acaba por levar com um punho nos queixos como resposta. Sentem-se numa sala de cinema? Neste momento eu pensei que estava em casa, a assistir a um qualquer telefilme de sábado à tarde que assenta na grande temática dos jovens perturbados com a ausência de figuras paternais. Em frente, no entanto...
D.J. Caruso é um realizador com mais experiência no mundo da televisão que no do cinema. Infelizmente para o espectador, este pormenor é por demais evidente. São poucos os planos que nos lembram que, afinal de contas, é um filme que estamos a ver. Sendo este filme uma recontextualização de “Janela Indiscreta”, era expectável a tentativa de reproduzir os momentos em que Hitchcock era especialista: “o suspense”, o piscar de olho subtil ao espectador, sugerindo que alguma coisa estava para acontecer, sem nunca revelar demasiado e mantendo a respiração do filme em modo ofegante (ver a mítica cena da chegada dos Pássaros à escola). Não existe em “Paranóia” uma sequência, uma cena, um frame em que o espectador sinta algo de levemente próximo. Para um filme que é vendido como thriller, é algo digno de nota...
No entanto, o filme fará sucesso entre as camadas mais jovens. Tem os estereótipos perfeitos do género teen movie: o jovem perturbado; a gaja boa e hiperconfiante mas que até tem coração; e o melhor amigo disposto a fazer quase tudo pelo protagonista.

Previsível e aborrecido (apeteceu-me sair da sala a meio do filme), Shia Laboeuf e David Morse são mesmo os pontos positivos neste filme, o mais jovem a confirmar as boas indicações que tinha deixado em “Transformers” e o mais velho a cumprir o que faz normalmente, com destaque para o seu penteado “à Santana Lopes”.

31 julho 2007

What the F???

Começou, no passado domingo, a rodagem do filme "Corrupção", de João Botelho. Pergunta o leitor deste blog, perdido na internet enquanto procurava pornografia filipina, porque estou a dar atenção a um cineasta como João Botelho. Acho que é melhor não o tratar como "cineasta", ainda estamos à espera dos resultados das análises.

Em frente: Corrupção é adaptado do livro autobiográfico "Eu, Carolina", de Carolina Salgado e dará maior enfâse aos relatos sobre a alegada corrupção desportiva em julgamento no processo Apito Dourado. Para aqueles que caíram da cadeira antes do final da frase, eu repito: «Corrupção é adaptado do livro autobiográfico "Eu, Carolina", de Carolina Salgado».

O que me surpreende nesta notícia (além do duvidoso material de origem; e como é que ainda é permitido ao Botelho aproximar-se dum plateau...) é o valor do orçamento: um milhão de euros numa produção nacional. Ah!, e porque é que Nicolau Breyner e Alexandra Lencastre estão envolvidos nesta produção. Sim, e outra coisa: o livro foi publicado no final do ano passado, de onde apareceu dinheiro assim tão depressa?

Não, não colocar aqui nenhuma fotografia...

In Memoriam

1918-2007

In Memoriam


1912-2007

"Sequela?"

“Os Simpsons- O Filme”
De: David Silverman
Vozes: Dan Castellaneta, Harry Shearer, Nancy Cartwright, Yeardley Smith, Julie Kavner.


Homer apaixona-se por um porco e o resto do filme desenvolve-se naturalmente a partir daí... (Foi o Matt Groening que definiu assim o filme numa entrevista ao Jon Stewart e eu não conto mais nada!)

“É um episódio com uma hora e meia!” É esta frase que mais se lê na “interweb” quando se pretende denegrir esta primeira longa-metragem Simpsoniana... E a resposta esperada é: sim, é um episódio de hora e meia... e, sim, há algo de mal com isso, mas não muito. Apesar de terem decrescido de qualidade nas ultimas temporadas, nunca os “Simpsons” chegam ao nível de “suckiness” de um episódio de “American Dad”.
Mas divago... Porque é que é menos bom ser apenas um episódio de hora e meia? Porque talvez que de cada vez que ajeitamos a região glútea numa cadeira de cinema esperamos ver algo de diferente, inovador, tem sido assim desde que dois irmãos franceses apresentaram uma série de curtas-metragens documentais num café parisiense... No entanto, tratando-se de um episódio dos Simpsons com hora e meia, é inevitável não pensar: “Uau, um episódio dos Simpsons com uma hora e meia!!” Sim, é sempre bastante divertido ver as aventuras desta família amarela e esta longa-metragem não escapa à regra. Os gags sucedem-se a um ritmo vertiginoso e com um rácio punchline/gargalhada assombroso. É de facto impressionante verificar a quantidade de piadas que acertam na mouche, provando que existe mais na comédia norte-americana que o binómio Teen Movie/Escatologia. No entanto, convém ter algum conhecimento da cena político-social norte-americana para apreciar devidamente todas as piadas (é exemplo disto uma referência do Presidente Schwarzenegger aos serões com a família Kennedy).


Como se costuma dizer no mundo do desporto: “Em equipa que ganha não se mexe!” e o aforismo é aqui levado muito a sério. Ou quase. Apesar de não haver uma evolução acentuada na maioria das personagens algumas nuances são notórias, tais como: SPOILER, SPOILER SPOILER SPOILER ou SPOILER SPOILER, SPOILER.
Vísivel neste filme é também a evolução e novas tecnologias na animação. Apesar de o 2-D pomposamente anunciado não ser atirado às urtigas, é facilmente identificável o movimento mais cinematográfico, principalmente nos cenários de fundo.

Não desilude, mas também não surpreende muito. A destacar o momento genial de paródia à FOX, mas este momento teve já a sua origem na série.
Não deixa de ser bom este filme, mas não é uma variação muito larga do que já a série de televisão, levando um atento Homer Simpson a exclamar, logo no início: “Porque havemos de pagar para ver uma coisa que já temos à borla na televisão?! Quem pagou para ver este filme é um idiota!” Nada mais do que o bom velho humor subversivo que celebrizou este família amarela ao longo dos seus vinte anos de existência.


P.S.- acho que é a primeira crítica que escrevo com a palavra “rácio”... e “binómio”...

22 julho 2007

Porque outra razão é que alguém precisaria de um empréstimo?

Foi ontem...

... lançado mundialmente o ultimo capítulo da saga Harry Potter. "Harry Potter and the deathly hallows" no original. Entretanto, a antecipação do momento em que uma das personagens principais morre atingiu o máximo também no outro lado do Atlântico:



No entanto, prefiro qualquer coisa mais simples... Talvez: Harry acorda na sua cama depois e a mãe e o pai o acordarem e apercebe-se que era tudo um sonho. Um livro com duas páginas...

21 julho 2007

O Cinema perto de nós

Quando menos se espera o Cinema ou, pelo menos, algo que o faz lembrar, aparecem-nos sem avisar, onde menos esperamos. Nuvens destas já foram o ínicio de muitas películas de ficção ciêntifica ou de filmes que reflectem sobre a desumanização do Ser Humano. Uma imagem (ou uma nuvem) vale mil palavras.




E com isto descobri um novo passatempo: "Cloudspotting".

18 julho 2007

Onde é que está a tampa?

Há muito, muito tempo, Stephen Fry e Hugh Laurie tinham um programa de comédia. Pelos clips dísponiveis no Youtube, era bom p'ra caramba!
Este é um exemplo...


Outro, ainda melhor:

Curta Portuguesa

"A Noiva"

De: Ana Almeida
Com: Bárbara Magalhães, José David Coimbra
Portugal, Côr, 6m57s, 2007.




Um jovem casal pára na margem do Douro e entra num celeiro abandonado...


Amadores, sem apoios do ICAM, rodando apenas quando os horários de trabalho o permitiam, mas com muita vontade de fazer algo bom. Pode descrever-se desta maneira os cineastas responsáveis pela produção desta curta-metragem que tem ganho prémios e estado presente em festivais um pouco por todo o mundo.


É uma curta... muito curta. De facto, sete minutos não é suficiente para avaliar de forma segura certos aspectos de um filme, como por exemplo: a performance dos actores, que parece, no entanto, boa. Ainda assim, salta à vista a direcção artística que e o cuidado com a iluminação na cena no interior do celeiro.
Ainda a destacar as boas ideias de realização que vão sendo mais abundantes no cinema português ("Suícidio Encomendado" tem bons exemplos) e que são uma variação refrescante dos planos televisivos de grandes planos constantes que ainda minam a cinematografia nacional.
Parabéns à equipa, que povou ser possível fazer cinema com poucos recursos e usando a dedicação como arma principal. Espero por este, para avaliar progressos mais próximos de casa.
Para mais informações e noticias actualizadas sobre participações em festivais deste "A Noiva", podem ir aqui ou ainda consultar o IMDb para a ficha técnica completa.

Hoje à tarde, no centro comercial

Ele: Sentado nas escadas rolantes, a olhar para a filha que se ri da figura do pai.
Ela: Em pé, no degrau anterior e de braços cruzados com aquela expressão entediada que grita o pensamento interior: "Casei com um bronco!"

16 julho 2007

Em missão especial no Festival de Curtas de Vila do Conde

Bruno "The Coiso" Gonçalves escreve, em exclusivo para o Salas Escuras, sobre "Death Proof". À pala de uma equipa de reportagem a fazer o seu honesto trabalho, o jovem produtor/jornalista do RCP- Porto disponibilizou-se para escrever sobre o mais recente filme de Quentin Tarantino.

«“Ladies… we gonna have some fun”. É uma das frases-chave de Stuntman Mike (Kurt Russel) mas que se encaixa que nem uma luva naquilo que nos espera quando nos preparamos para assistir a Death Proof (Á Prova de Morte) … só têm que tirar o “ladies” (ou não).
O festival internacional de cinema de Vila do Conde teve a felicidade de exibir, em antestreia nacional, um dos filmes mais aguardados do ano. Grindhouse é o nome do projecto que une o talento de Quentin Tarantino e Robert Rodriguez em homenagem ao cinema exploitation (caracterizado pelo cocktail de moçoilas jeitosas a exibir atributos, muito sangue e membros decepados, fracos desempenhos e extremo mau gosto) e que é constituído por duas películas, o já referido Death Proof e Planet Terror.
A organização do festival já esperava casa cheia na estreia do filme, mas a procura foi tal que se viram obrigados a realizar mais uma sessão.
Foi uma segunda sessão a rebentar pelas costuras (também esgotada), que me garantiu um fantástico lugar nas escadas da plateia, no meio de muita gente ansiosa pela experiência que ia ter início.
E que experiência… Tarantino é um mestre digam o que disserem. As suas obras anteriores (como Jackie Brown e Kill Bill Vol. 1 e 2) já assentavam na estética e premissas dos filmes exploitation dos anos 60. E por falar nos outros filmes do realizador americano, temos pormenores deliciosos que rapidamente nos remetem para esses mesmos filmes, principalmente na cena que se desenrola dentro da loja da estação de serviço.
Tarantino volta a fazer uma perninha como actor e a provocar a primeira sessão de gargalhas, aplausos e assobios na sala interpretando o seu papel de proprietário de um bar.
É apenas a primeira das várias manifestações da plateia nas quase duas horas que dura o filme. Existe uma constante interacção entre o que se desenrola na tela e a plateia, o que torna esta sessão diferente de uma sessão normal. Poucos são os filmes em exibição que conseguem estabelecer esta ligação com a plateia que aplaude cenas como se estivesse a ver um espectáculo ao vivo qualquer, e não um filme numa sala de cinema.
A história gira em torno de um duplo de cinema de seu nome Stuntman Mike (um Kurt Russel revitalizado), que conduz um Dodge Charger preparado para ser literalmente “à prova de morte” e que se vai atravessar no caminho de oito beldades. Umas irão dar mais luta do que outras.
A homenagem que Tarantino quis fazer a este tipo de cinema é levada ao extremo. Ao ponto de o filme apresentar falhas no som, saltos na imagem, uma fita riscada tudo para que nos leve a regressar às grindhouses, onde eram exibidas, por vezes ininterruptamente, dia e noite, filmes série B.
Para quem é fã de Tarantino, dificilmente não gostará. Para os restantes espectadores, devem ir de mente aberta para perceberem que vão a muito mais do que uma sessão de cinema…»
Assim que o filme estrear no resto do país, Coimbra mais propriamente, escreverei aqui o meu comentário. Para já, o meu obrigado e, Bruno, O cheque já está no correio.

12 julho 2007

Robert Redford de regresso ao drama político

E também à cadeira de realizador. Sete anos depois do estranho "Legend of Bagger Vance", Redford dirige "Lions for Lambs", onde também assumirá um dos papeís principais, ao lado de Meryl Streep (África Minha) e Tom Cruise.

O filme narra três estórias com destaque dado à guerra mundial ao terrorismo, onde Redford é um professor de Ciência Política que tenta convencer um aluno a não desistir da faculdade, Streep é uma jornalista e Cruise é um senador norte-americano.



Aqui está o trailer:





A estreia nos Estados Unidos está marcada para o dia 9 de Novembro e, se bem me recordo, é a primeira vez que Redford assume um papel principal num drama político depois de "Os Homens do Presidente".
É impressão minha ou o "Tó" é demasiado novo para interpretar um senador?

10 julho 2007

Interessante...

Se eu fosse uma personagem do "Heroes" seria:


Your Score: Sylar


You scored 29 Idealism, 58 Nonconformity, 41 Nerdiness




How can you stop what's coming... when you don't know anything about power?
Congratulation, you're Sylar, the artist formerly known as Gabriel Gray! You are a seriously nerdy person with an enormous desire to be different, and to be recognized for it. As long as you don't go eating brains, this doesn't have to be a bad thing at all. You're ambitious, intelligent, tenacious, and unique. Your best quality: Panache Your worst quality: An obsessive desire for recognition and power

06 julho 2007

Yeepi-oh-Kay-Wey!



"Die Hard 4.0- Viver ou Morrer"
Real: Len Wiseman
Com: Bruce Willis, Justin Long, Timothy Olyphant
EUA; Cor; 130 min


Passaram doze anos desde que John McClane viu um dia cheio de acção num “Assalto Infernal”. Desde então a sua vida voltou ao normal que se espera para um policia verdadeiro: um divórcio, problemas de comunicação com a filha e a idade que não perdoa, com cada vez mais rugas presentes na cara. No entanto, quando recebe uma chamada para levar um hacker a um departamento de segurança informática do governo está longe de imaginar que os tempos de encontros imediatos com vidro partido, explosões e caixas de elevadores estavam para voltar.


Dirigi-me à sala de cinema a tentar controlar as expectivas. Afinal, o realizador deste quarto capítulo da saga McClaneana é Len Wiseman, homem responsável por “Underworld”, provavelmente dos piores filmes que já empestaram o campo visual. No entanto, a magia que fez o primeiro “Die Hard”, na altura realizado por John Mctiernan, não morreu completamente. Apesar de evidentes más opções de realização, como é evidente quando Wiseman exagera ao tentar dar ao espectador uma maior sensação de movimento ao tremelicar a câmara numa das primeiras perseguições, o filme é razoavelmente honesto. Bruce Willis dá um ar mais cansado a este McClane, mas até se compreende dado o avançar da idade. A própria premissa do filme parece credível, pelo menos adaptada aos tempos modernos da vida virtual, no entanto existem demasiadas sequências em que o espectador é confrontado com um ecrã cheio de números ou letras, ou que pode contribuir para um certo afastamento do filme. Para este afastamento pode ainda contribuir a fraca qualidade de alguns dos actores secundários.


São várias as referências ao primeiro filme desta série, desde os poços de elevador ao vidro partido, mas a mais evidente é o facto de se tratar de mais um assalto disfarçado com motivos maiores. Thomas Gabriel, o terrorista de serviço, põe offline toda uma panóplia de serviços e comodidades oferecidas ao comum cidadão, e também a entidades estatais, com o suposto objectivo de demonstrar a fragilidade das defesas cibernéticas, mas...


Não é um filme que procure dar respostas ao grandes problemas da vida (também não o eram os três anteriores) e pretende dar ao espectador apenas algum tempo bem passado sem insultar, demasiado, a sua inteligência.

25 junho 2007

Em breve...

Quando acabar a maquiavélica época de exames e entrega de trabalhos, um comentário à curta portuguesa, de muito bom aspecto, "A Noiva".
Podem ver o trailer aqui.

Tem o meu voto


13 junho 2007

Para uma tarde bem passada e sem para fazer*

" 1900"-dvd
De: Bernardo Bertolucci
Com: Robert De Niro, Gerárd Depárdieu
Itália, 1976, Cor


Alfredo Berlinghieri e Olmo Dalco nasceram no mesmo dia, apenas com alguns minutos de diferença. Alfredo é filho de uma família de proprietários rurais na Itália do inicio do século XX e Olmo é filho da família de camponeses que trabalha para eles. Tornam-se grandes amigos mas a origem social de cada um será um factor determinante na forma como se relacionam entre si e com todas as outras personagens que os rodeiam.

Depois de uma obra-prima como “Ultimo Tango em Paris”, seria de esperar que um normal realizador apresentasse um trabalho inferior, mas Bernardo Bertolucci não é um vulgar realizador. Com 1900 o italiano apresenta-nos um épico, em duração, mas também em meios e em narrativa. Iniciado no inicio do século passado(em 1901), Bertolucci conta-nos a estória de duas personagens mas também as convulsões sociais de Itália estão presentes: desde a tensão latente das lutas laborais do incio do século até ao confronto, de facto, da ascensão do Fascismo Mussoliniano e repressão dos Comunistas. Conhecido pelo gosto em usar elaborados movimentos de câmara, Bertolucci não desilude neste filme. Os planos de movimento nos campos são apenas um dos pontos fortes deste filme que contava com dois jovens actores nos papeis principais: Robert DeNiro e Gérard Depardieu. Ainda a destacar a magnífica fotografia de Vittorio Storaro, um grande contributo para a exuberância discreta dos cenários, vísivel na subtil alteração do interior das casas das personagens, uma evolução natural no nível de vida do século XX.

Nesta edição em DVD encontramos o filme divido em dois discos: uma inevitabilidade dadas as mais de 4 horas de duração, mas tratando-se de uma edição dupla seria normal esperar algo mais que apenas duas featturetes com comentários do realizador e do director de fotografia. Apesar de uteís para o espectador se aperceber de pormenores à primeira vista escondidos, será demais pedir entrevistas com actores ou mesmo a opinião de um historiador quanto à exactidão dos factos retratados?

* texto publicado na edição de 19 de Maio do Jornal Uiversitário A Cabra

12 junho 2007

Frases para recordar #1




"O Jim Carrey é uma espécie de Jerry Lewis com dois quilos de Cocaína!"






11 junho 2007

Parabéns a Você... (1977-2007)

Parece que foi ontem que vi pela primeira vez, numa segunda-feira à noite, na Sic, o capítulo IV de Star Wars. Na altura senti-me bastante confuso por não saber onde andavam os três episódios anteriores, mas só por alguns segundos, porque depois... Uma nave de batalha imperial dominava o ecrã, em perseguição ao que se assemelhava muito a um pequeno bote salva-vidas onde iam os Rebeldes da Princesa Leia... Ao assistir a esta cena clássica num pequeno ecrã (numa tv que já nem está cá em casa) fiquei imediatamente arrebatado. O resto do filme não desiludiu e o episódio seguinte ( O Império Contra-ataca) deixa qualquer espectador com os cabelos em pé ao saber a terrível verdade sobre a filiação paternal da personagem principal.
Mas divago. A vinte e cinco de Maio do Ano do Senhor de 1977 estreava em 32 salas norte-americanas o filme que impressionou tanto publicos como cineatas (Ridley Scott, já na altura a pensar numa experiência claustrofóbica com um Oitavo Passageiro, disse as seguintes palavras: "Bolas! Alguém o fez antes de mim...").
Conhecido em todo o mundo, este filme fez a fortuna e a reputação de George Lucas, apesar de o próprio quase ter destruído a ultima com uma coisa chamada "Howard the Duck". Star Wars lançou também para o estrelato três jovens actores, tendo sido o início de uma carreira fantástica para Harrison Ford, amaldiçoado a de Mark Hammill (continua a ser confundido com a personagem que interpretava) e revelado uma jovem Carrie Fisher que teve de contrariar a própria mãe para aceitar o papel.
Sinto que por mais palavras que escreva nunca farei justiça a este fenómeno de bilheteira, mas também inovação na forma de fazer Cinema (sim, com Maíscula) que foi a Guerra das Estrelas.
Peço desculpa pela linguagem demasiado comprometida com o objecto, mas este é daqueles filmes que me ficaram na memória desde a infância e que só cresceram na minha consideração quando aprendi (processo contínuo, ainda continuo a aprender) a ver Cinema.~
Parabéns, ainda que atrasados, ao George, ao Obi-Wan Kenobi, Darth Vader, Luke Skywalker, Leia Organa, Han Solo, Chewbacca, Greedo, Bobba Fett, Jabba the Hut, Lando Calrissian, Imperador Palpatine, etc etc etc...